quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A história da devoção a Nossa Senhora das Graças



A devoção a Nossa Senhora das Graças ou a Virgem da Medalha Milagrosa tem sido amplamente disseminada desde que surgiu na primeira metade do século 19. Mas o que poucos usuários da medalha sabem é que há uma estreita relação entre esta devoção e os santos Catarina de Labouré e Vicente de Paulo.

São Vicente de Paulo, viveu, morreu e foi canonizado entre os séculos 16 e 17. Dentre suas principais preocupações apostólicas, a formação dos sacerdotes e os pobres. Este francês realizou incansáveis trabalhos missionários e fundou a Congregação das Irmãs de Caridade (também conhecida como "Irmãs Vicentinas" e "Companhia das Filhas da Caridade"). Esta Congregação tinha como carisma a assistência que exercem em lugares como hospitais, asilos, orfanatos e manicômios.


Também na França nasceu cerca de 150 anos depois Santa Catarina de Labouré. Era 1806. Aos nove anos ela perdeu sua mãe, por isso adotou imediatamente Nossa Senhora como sua Mãe. Na adolescência teve um sonho onde um padre lhe dizia: "Minha filha...é bom cuidar dos enfermos. Agora você foge de mim, mas no futuro será feliz vindo até mim. Deus tem desígnios sobre você. Jamais se esqueça disso!" Não esqueceu, mas só veio a descobrir que aquele padre com quem sonhara era São Vicente de Paulo ao ver seu retrato numa visita que fez a um convento das Irmãs Vicentinas, aos 18 anos. Cinco anos depois disso, após conseguir convencer seu pai, entrou naquele convento.

Nossa Senhora aparece à Irmã Labouré pela primeira vez Daí em diante, a religiosa teve numerosas visões. A primeira ocorreu no dia do santo fundador. Depois de escutar a madre falar bastante sobre Nossa Senhora, foi à sua cela dormir, pedindo intensamente a São Vicente a graça de ver Nossa Senhora. Na mesma noite, acordou com uma criança de aproximadamente cinco anos, todo vestido de branco, chamando: "Irmã Labouré, Irmã Labouré! Vinde depressa à capela! A Santíssima Virgem vos espera! Ficai tranqüila, são onze e meia: todas as irmãs dormem um sono profundo!"

A pesada porta da capela abriu-se com um simples toque da criança. O templo estava todo iluminado. Ainda conduzida pela criança, que permanecia de pé, Santa Catarina ajoelhou-se ao lado da cadeira do seu diretor espiritual. A criança voltou a falar: "Eis a Santíssima Virgem! Ei-la!". Em seguida, um farfalhar de vestido de seda fez-se ouvir do alto. A Virgem, com um vestido cor marfim, ajoelhou-se diante do altar e sentou-se numa cadeira. Novamente fez-se ouvir: "Eis a Santíssima Virgem", mas desta vez por uma voz adulta. Santa Catarina ajoelhou-se num dos degraus do altar, com os braços apoiados nos joelhos da Virgem, que lhe dirigiu a palavra:
"Catarina, em qualquer sofrimento, venha falar ao meu coração. Receberás tudo o que precisamos. Filha, confio-te uma missão, não tenhas medo; conta tudo ao padre encarregado de guiar-te.
Desgraças desabarão sobre a França, o trono será derrubado, catástrofes abalarão o mundo; eu estarei contigo. Deus e São Vicente, protegerão as duas comunidades: a dos Padres e as Irmãs de São Vicente. 
Minha filha, agrada-me derramar minhas graças sobre esta comunidade em particular. Felizmente eu a amo muito. Mas estou triste por causa dos grandes abusos contra a regularidade. A Regra não está sendo observada. Há um grande relaxamento. Dize-o ao teu confessor. Ele precisa fazer tudo o que é possível para recolocar a Regra em vigor. Comunica-lhe. De minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas. Não temas! Deus e são Vicente de Paulo protegerão a comunidade. Eu mesma estarei convosco. Tenho sempre velado por vós e vos concederei muitas graças."
Santa Catarina ficou com a Virgem Santíssima e o anjo por duas horas e meia. E tudo o que Nossa Senhora previu aconteceu. Mesmo diante deste sinal, o confessor da religiosa acreditava que tudo não tinha sido mais do que um sonho, e havia proibido ela de comentar o assunto, mas que apenas buscasse imitar as virtudes da Virgem Santíssima.

Segunda aparição - a medalha milagrosa
Quatro meses depois, final de tarde, Catarina na capela junto às demais religiosas, vê a Santíssima Virgem, de estatura mediana e sua face era tão bela que era impossível descrevê-la. Seus pés estavam, pousados sobre uma grande esfera de ouro, que representava o globo terrestre. De seus dedos saíam raios - cada um mais belo que o outro - das pedras preciosas que se encontravam em seus dedos. Desta forma, a Virgem disse:
"Este globo que vês representa o mundo inteiro e cada pessoa em particular. Esses raios são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mas pedem: os anéis dos quais não partem os raios, representam as graças que se esquecem de me pedir. 
Fazei cunhar uma medalha com minha figura de um lado, e do outro, o M do meu nome, sob uma cruz, tendo embaixo dois corações, um coroado de espinhos e o outro, atravessado por uma lança. Todos que a usarem com fé, receberão grandes graças."
Após estas palavras, formou-se em torno de Nossa Senhora uma imagem como que uma medalha oval com as imagens preditas e doze estrelas ao seu redor. Ainda estavam escritas as seguintes palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós". A Santíssima Virgem ainda pisava numa serpente.

Mais uma vez seu diretor espiritual não acreditou no que lhe foi narrado pela irmã, mas para desencargo de consciência resolveu relatar ao bispo. Por sua vez, este julgou que não haveria mal algum em mandar cunhar medalhas como descrito. Menos de dois anos depois, estavam prontas as 1500 primeiras.

Naquele mesmo tempo, surgiu uma grande epidemia. Surpreendentemente, muitos foram curados pelo uso da Medalha Milagrosa. O número de medalhas cunhadas já era insuficiente para tão grande procura.

Morte e Canonização
Mas ninguém sabia para quem Nossa Senhora havia aparecido. Santa Catarina permaneceu no anonimato, até que aos 67 anos recebeu um sinal de Deus de que deveria se revelar. Procurou a madre e contou tudo. A madre, que muitas vezes tratava Santa Catarina de forma severa, ajoelhou-se e humilhou-se diante de Santa Catarina. Três dias depois, a Ir. Labouré morreu e foi sepultada. 

Sessenta anos depois de sua morte, seu corpo foi encontrado incorrupto. Um médico ergueu as pálpebras da santa e recuou, reprimindo a muito custo, um grito de espanto: os magníficos olhos azuis que contemplaram a Virgem Santíssima pareciam palpitante de vida.

A Igreja elevou Santa Catarina de Labouré aos altares em 27 de Julho de 1947. Hoje ainda os fiéis podem visitar e venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris.

O lugar onde a Virgem apareceu e pediu que se cunhasse as medalhas hoje possui um altar chamado de Virgem do Globo, onde existe uma imagem de mármore, tentando reproduzir o que a Noviça viu.

Extrato de vários textos sobre o assunto.

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