sábado, 16 de fevereiro de 2013

Foi Deus quem criou o mal?


"No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito." (Jo 1,1-3)

O evangelista e apóstolo São João começa sua narrativa usando figuras de linguagem, que por sinal são uma forte característica sua.

Já inicia nos remetendo às aulas de gramática. O verbo é o elemento da escrita que indica toda e qualquer ação que seja realizada por alguém. Só que nesse caso, o verbo é também o sujeito, o que nos leva a crer que Ele é, por natureza, dinâmico. Deus não fica indiferente a nada.

O homem, ele tem o poder de transformar, a partir de cada matéria-prima fornecida por Deus. Nenhuma criatura, nem mesmo o homem, nem qualquer outra criatura, seja ela apenas espiritual ou não, pode criar do nada. Por isso, Deus é o único criador, o criador de todas as coisas, visíveis ou invisíveis.




Muito dirão que Deus fez o mal. Na realidade, o mal não é outra coisa senão a ausência de Deus. Quando a matéria-prima de Deus se afasta do propósito para o qual foi criado por Deus, ela se estraga, se corrompe.

Há um conto não comprovado onde se atribui uma troca de ideias entre Albert Einsten ainda adolescente e seu professor em sala de aula. Aqui replicado porque ilustra muito bem o conceito, embora não se possa aceitá-lo historicamente como fato:

"Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta: 'Deus criou tudo o que existe?'
Um aluno respondeu valentemente: 'Sim, Ele criou.'

'Deus criou tudo?', perguntou novamente o professor.
'Sim senhor', respondeu o jovem.

O professor respondeu: 'Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?'
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse: 'Posso fazer uma pergunta, professor?'
'Lógico', respondeu o professor.

O jovem ficou de pé e perguntou: 'Professor, o frio existe?'
'Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?'

O rapaz respondeu: 'De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor'.

'E, existe a escuridão?', continuou o estudante.
O professor respondeu: 'Existe'.

O estudante respondeu:
'Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas. Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz. Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente'.

Finalmente, o jovem perguntou ao professor: 'Senhor, o mal existe?'
O professor respondeu: 'Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.'

E o estudante respondeu: 'O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.' "

Senhor, permite-nos conservar as tuas obras segundo o propósito para os quais criaste. Dar o devido valor a cada coisa. Dá nos a virtude da temperança.
Permite-nos, Senhor, que não nos afastemos de ti, para que assim não confundamos o bem com o mal, para que possamos alcançar a vida plena e abundante para a qual nos criaste.

2 comentários:

sallos disse...

A resposta é clara e direta. Isaias 45:7 "7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas." Chega de se querer interpretar a Divindade e querer imaginar suas razões, fazendo elocubrações e tentando desviar ou interpretar a afirmação direta e clara. Não dá para ser mais claro e objetivo:"7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas." Tudo provêm Dele. Tudo.

Anderson Pontes disse...

Prezado Sallos,

As trevas (ou escuridão) é simplesmente a ausência de luz, correto? Quando Deus assume a criação da luz, mas não exige que ela esteja em todos os lugares, então ele permite a existência das trevas.

Mas ao dizer que Deus cria o mal, estamos indo por um caminho perigoso. Precisamos assumir que, quando ele nos dá o livre arbítrio, assume que podemos optar por fazer o bem ou fazer o mal. Neste sentido, e apenas neste, podemos assumir que ele criou o mal.

Caso você queira insistir no texto em que diz que Deus é o criador do mal, preciso lembrar que a Bíblia não foi escrita em português. A palavra que no texto significa "mal" também significa "calamidades" da natureza. Sugiro que leia o texto em http://novotempo.com/namiradaverdade/deus-criou-o-mal-isaias-457 que explica muito bem isso.