domingo, 28 de março de 2010

A queda do Homem e a vontade de Deus

Por Anderson Pontes

Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Insiste nisso no livro do Gêneses.
Por ser à imagem e semelhança de Deus trazia em sua natureza grandes qualidades. Possuia a plenitude da vida, na alma e no corpo.

Sua alma, em sua plenitude, experimentava a intimidade com Deus. Ele caminhava com Deus, diante de toda a natureza, que se apresentava familiar e amistosa.
Seu corpo experimentava, em sua plenitude, uma vida imortal e sem dor.

O homem tinha domínio sobre sua vontade e suas paixões. Enfim, havia um pleno equilíbrio na natureza do homem. Desde a alma consigo mesma, desde o seu corpo consigo mesmo, desde a relação da alma com o corpo. O homem não sabia o que era dilema ou crises. E se relacionava plenamente com Deus, com a mulher e com todas as demais criaturas.

Mas Deus sabia que não haveria mérito algum no homem se ele o amasse e o seguisse apenas por esta ser a única opção. Então, Deus deu ao homem uma outra opção, quando lançou um único mandamento: não comer do fruto de uma única árvore, dentre toda a criação. Se o desobedecesse, morreria.

Não se tratava daquele fruto em si. Não era o objeto da proibição. Tratava-se, da realidade, de amar a Deus por opção. Quando o homem buscou a desobediência, renegou o plano de Deus. Rejeitou todo o reino que o havia sido dado.

O resultado foi estrondoso. Toda a harmonia que existia na criação foi rompida. O homem perdeu suas certezas, perdeu sua imortalidade, perdeu o reconhecimento de toda a criação e, o pior de tudo: perdeu a comunhão plena com Deus. Não é que isso lhe tenha sido tirado, mas é que ele mesmo, com sua decisão de desobeder a Deus abriu mão daqueles dons obtidos.

Como resultado, a alma e o corpo do homem encontrou o desequilíbrio. A alma, em seu pecado da desobediência, tendia a querer ser igual ou maior do que Deus. O corpo, por outro lado, queria ser igual ou menor do que as criaturas. O homem tinha por ambição ser como Deus, sem limites, mas ao mesmo tempo entregue às paixões, aos sentimentos. Através da soberba e da sensualidade, o homem experimentava agora um mundo sem harmonia.

Daí a necessidade de buscar a virtude da temperança para dar o devido valor às coisas materiais e espirituais e recuperar o equilíbrio perdido. A temperança é uma das sete virtudes capitais, uma das quatro virtudes teologais, mas talvez a menos conhecida.

Foi, portanto, por sua livre e espontânea vontade que o homem se submeteu a este caminho e encontrou sua queda. Perdeu-se por sua própria responsabilidade. Mas não sem esforço de Deus, que iniciou um longo plano para a restauração do que foi perdido.

Novas árvores proibidas vêm sendo colocadas diante de cada homem a cada instante. Deus continua oferendo aos seus filhos a opção de obedecer aos seus mandamentos para que possam experimentar a plenitude do seu amor e restaurarem esta comunhão, esta relação íntima, em parte nesta vida para, em seguida, encontrarem com ele face-a-face na próxima, isto é, após o julgamento, no céu.

Portanto, o segredo para restaurar a condição inicial é o conhecimento da vontade de Deus. É impossível agradá-lo sem conhecer a sua vontade, sem obedecê-la. Quando o obedecemos, o agradamos. Quando o agradamos, somos plenos.

A história da humanidade está repleta de acontecimentos que exemplificam a capacidade extraordinária do homem em realizar grandes proezas. Ao mesmo tempo em que demonstram que Deus deixou muitos bens com o homem mesmo depois da queda, mostram o quão devastador é este poder não só para o homem mas para toda a criação quando tais bens são usados em desobediência ou à margem da sua vontade.

O homem aprendeu a voar. Foi à lua. Consegue transmitir imagens em pequenas caixas. Se comunicar com pessoas do outro lado do mundo. Ao mesmo tempo, utiliza os aviões para destruir na guerra, inventa bombas nucleares, usa a tecnologia para disseminar imoralidades.

Escândalos como pais matando filhos e filhos matando pais vez por outra são levantados pela mídia. Pessoas se matam. Matam bebês indefesos ainda no ventre da mãe. Matam velhos por não querem cuidar deles.

Ao mesmo tempo, surgem maremotos, terremotos, cada vez mais frequentes. Grandes desastres naturais, devastando cidades inteiras.

Nada disso está dissociado dos primeiros acontecimentos. Tudo é causa do desequilíbrio causado pela primeira desobediência. E só será restaurado no novo mundo, a  nova vida. Mas para cada um de nós tudo começa aqui. Começa agora. Começa com a obediência à vontade de Deus aqui e agora.

Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, em sua obediência até a morte, e morte de cruz, alcançou a ressurreição. E todos nós, com nossa obediência responsável e incondicional, também ressuscitamos com ele e restauraremos a criação. Através da obediência que se demonstra em cada livre opção que exercemos.

Este texto foi sobre a vontade de Deus, a obediência e o pecado. Pecado original.
Sobre como o pecado surgiu na história da humanidade. Sobre o efeito devastador do pecado no plano original de Deus. Para responder: "Por que Deus permite que tragédias e calamidades na vida do homem?"

"Todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus"
"A criação inteira geme, como que em dores de parto, aguardando a realização do mundo que há de vir".

Texto baseado nas Sagradas Escrituras e no livro "A fé explicada", de Léo Treze.

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