terça-feira, 3 de novembro de 2009

Galileu e a Igreja - muito além dos boatos, a redescoberta dos fatos

Por Anderson Pontes

2009 é o Ano Internacional da Astronomia, segundo promove a Unesco por ocasião do 400º aniversário da invenção do telescópio por Galileu. Como não poderia deixar de ser, volta à pauta dos inimigos da Igreja a questão do julgamento e da condenação do famoso cientista.

Ao longo do tempo o assunto foi tão deturpado que há quase um consenso de que Galileu teria sido maltratado, condenado, torturado, declarado herege e que até teria ido para a fogueira. Como exemplo, podemos citar que Dan Brown, autor de "Código Da Vinci", agora em "Anjos e demônios" apresenta o Galileu dentro do estereótipo habitual, segundo o qual ele foi condenado por ter demonstrado o movimento da terra. Por isso, a fim de esclarecer o assunto, Depósito da Fé traz até você o posicionamento mais recente da Igreja a partir dos últimos estudos.


Século XVII. Não existia um estudo da física como o de Newton. Os métodos científicos era absolutamente insuficientes para comprovar que a Terra se movia ao redor do sol. Ao contrário, o bom senso dizia que o sol se põe e sai. Foi exatamente neste contexto que a afirmação de Galileu foi julgada como absurda para um grupo de especialistas da época. Assim, veio a declaração de que ele era contrário a Escritura - mas não herege (herege é alguém que nega uma ou mais verdades da fé).

Por outro lado, Galileu concordava com seus juízes de que não podia haver contradição entre o livro da Bíblia e o livro da natureza, porque um e outro procedem do mesmo autor. O livro da Bíblia, inspirado por Deus, e a natureza, observante executora de suas ordens. Se têm o mesmo autor, não pode haver contradição. Quando surge uma aparente contradição, significa que estamos lendo mal um dos dois livros e ele diz: é mais provável que sejamos nós que nos equivoquemos ao ler o livro da Bíblia – porque o sentido das palavras da Bíblia às vezes é recôndito e é preciso trabalhar para extraí-lo – que equivocar-se ao ler o livro da natureza, porque a natureza não se equivoca.

Uma verdade natural, cientificamente demonstrada, tem uma força maior que a interpretação que eu dou do livro da Bíblia. Portanto, diz ele, em presença de uma verdade científica demonstrada, terei de corrigir o modo de interpretar a Bíblia. A Bíblia não se equivoca, mas quem a interpreta se equivoca. Um critério claro compartilhado por seus juízes e por todo o mundo.

Agora em 2009, no dia 02 de Julho e na cidade do Vaticano, foi apresentada a nova edição das investigações do processo realizado contra Galileu (1611-1741), chamada de “Os documentos vaticanos do processo de Galileu Galilei” e a cargo do prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, Dom Sérgio Pagano.

As novidades desta edição ficam por conta da inclusão de textos e documentos da Congregação do Santo Ofício, do Arquivo Secreto e da Biblioteca Apostólica Vaticana e ainda de outros só agora descobertos pela  Congregação para a Doutrina da Fé, assim como a releitura de outros já conhecidos da mesma congregação e dos Arquivo Vaticano e Biblioteca Vaticana. Além disso, considera os pronunciamentos de João Paulo II na conclusão dos trabalhos da comissão em 1981 e 1982 e outros elementos que permitem compreender os documentos do processo.

Na ocasião, Dom Sérgio Pagano considerou que o juízo e a condenação de Galileu "ensina a ciência  a não se considerar professora da Igreja em matéria de fé e das Sagradas Escrituras" ao mesmo tempo em que "ensina a Igreja a abordar os problemas científicos com muita humildade e circunspecção".

Dom Pagano também exaltou a desfecho da vida do cientista: "Morreu como católico e penitente. Depois de ter escutado a sentença, Galileu disse: 'Peço duas coisas: crer em minha reta fé e na fé de católico' ".

Numa missa celebrada para cientistas na mesma cidade em 17 de Fevereiro, Galileu foi apresentado como modelo de cientista, já que «ele soube ler e estudar a ciência através dos olhos da fé».

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