domingo, 25 de janeiro de 2009

Como é possível acreditar na Bíblia mas não crer na Eucaristia?

Entre todos os ensinamentos que são próprios da Igreja Católica, um deles causa grande espanto ao ser rejeitado pelas demais denominações cristãs, que em geral costumam usar as Sagradas Escrituras como critério único para tudo o que precisem crer. Estamos falando do centro da fé católica, que é a presença de Cristo no Santíssimo Sacramento do altar.

Ao contrário de muitas outras doutrinas católicas (como a veneração aos santos e o culto pelas imagens), a doutrina eucarística é intrinsecamente bíblica. Pois as Sagradas Escrituras, a partir da palavra de Jesus e também do apóstolo São Paulo, apontam para aspectos indispensáveis desta doutrina deixada pelo Filho de Deus.

Vamos fazer um breve estudo, começando pelo Evangelho segundo São João, capítulo sexto. Para um entendimento mais amplo, sugerimos a leitura de todo o capítulo, mas aqui nos detemos aos pontos mais altos para onde convergem a matéria de nosso maior interesse, reforçados pelos versículos anteriores que o preparam. O capítulo começa com uma multiplicação de pães. A partir daí, surge uma discussão comparando aquele milagre com um outro, da antiga aliança, até que Jesus dá uma dimensão sobrenatural àquele pão. Vejamos quantas afirmações e promessas fez:

Jo 6, 35: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede".

Jo 6, 48: "Eu sou o pão da vida".

Jesus insiste nesta idéia. Vai repetir que é o pão da vida muitas vezes ainda, neste capítulo e em outros lugares das Escrituras, como veremos mais adiante.

Jo 6, 51-58: " 'Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo'. Os judeus discutiam entre si, dizendo: 'Como esse homem pode dar-nos a sua carne a comer?' Então Jesus lhes respondeu: 'Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes seus sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Ele não é como o que os pais comeram e pereceram; quem come deste pão viverá eternamente'."

As palavras de Jesus neste trecho são muito fortes. Repare quantas vezes fala em verdade ou verdadeiramente. Em ressurreição ou comunhão entre quem come a sua carne e ele próprio. Parece querer insistir na mesma idéia, para que fique claro.

Jo 6, 60: "Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: 'Esta palavra é dura! Quem pode escutá-la?' Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: 'Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subir aonde estava antes?' "

Jesus está disposto até a deixar que alguns dos seus discípulos o deixem, mas não abre mão da verdade revelada. Está claro que os discípulos não entenderam errado. Se fosse um mal entendido, Jesus certamente os chamaria para perto e daria os devidos esclarecerimentos, como fez em relação a muitas parábolas. Mas neste caso, não há mais o que explicar.

Jo 6, 64a: "Alguns de vós, porém, não crêem".

Jo 6, 66ss: "A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. Então, disse Jesus aos Doze: 'Não quereis também vós partir?' Simão Pedro respondeu-lhe: 'Senhor, a quem iremos? Tens palavra de vida eterna' ".

Claro que os discípulos, assim como os apóstolos que não partiram, deveriam estar confusos também. Mas estavam certos de que mais tarde o Mestre explicaria melhor aquele ensinamento. E de fato, ao chegar até a última ceia, certamente viriam a se lembrar daquela ocasião... vejamos o que os outro três evangelistas nos narram:

Lc 22, 14: "Quando chegou a hora, ele se pôs à mesa com seus apóstolos e disse-lhes: 'Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer'."

Trata-se, claramente, de mais um momento solene! Jesus sabe que é o último momento com seus apóstolos antes de ser entregue para sofrer e morrer numa cruz.

Mt 26, 26ss: "Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo-o abençoado, partiu-o e, distribuindo-o aos discípulos, disse: 'Tomai e comei, isto é o meu corpo'. Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu-o a eles dizendo: 'Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados'."

São Lucas narra pouca coisa diferente...

Lc 22,19s: "E tomou um pão, deu graças, partiu e deu-o a eles, dizendo: 'Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória'. E depois de comer, fez o mesmo com a taça, dizendo: 'Essa é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós'."

São Marcos também narra o mesmo acontecimento em seu Evangelho, mas sem nenhum acréscimo significativo. É bom dar uma parada aqui, antes de prosseguir, para relacionar a narrativa da última ceia com a discussão de Jesus com os judeus, que vimos anteriormente. Vamos observar alguns pontos comuns e essenciais já citados:

  • "O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo"
  • "Minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida"
  • "Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer"
  • "Fazei isto em minha memória"

Prosseguimos citando o ensino de São Paulo em sua carta aos Coríntios. Jesus não só já tinha morrido e ressuscitado, quanto já tinha enviado o Espírito Santo e subido ao céu. Este texto é igualmente importante aos anteriores e pode ser mais elucidativo ainda, pois a Igreja já estava plenamente instituída:

1Cor 11, 23-30: "Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na
noite em que ia ser entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim'. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim'. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram".

A Santa Ceia, que posteriormente tomou o nome de Missa, é celebrada pela Igreja Católica, única instituição que a celebra, não só por ser a única que verdadeiramente crê neste ensinamento, mas também porque é a única que recebeu a autoridade para perpetuá-la. Ao fazer isto em sua memória, a Igreja Católica, única que possui a sucessão daqueles primeiros apóstolos, obedece a ordem do Senhor e o aguarda até que ele venha. (A exceção à regra fica por conta da Igreja Ortodoxa, ausente em nosso mundo ocidental e cuja Eucaristia também é válida)

Ao longo da história da Igreja, muitos foram os sinais pelos quais Deus quis comprovar esta doutrina diante da fraqueza da fé dos homens. Um deles foi o Milagre ocorrido na cidade de Lanciano, quando um padre, enquanto celebrava a missa, questionou a validade daquele sacramento. Até cientistas da Nasa, séculos depois, estudam este milagre, sem encontrar explicação. Mas este milagre será narrado numa outra ocasião.

O propósito deste texto foi comprovar que a doutrina da Igreja no que diz respeito à Eucaristia é fundamentalmente baseada na Tradição Escrita. Estas passagens bíblicas que estudamos aqui são uma breve explicação, que por si só nos levam a questionar porque é que os cristãos não-católicos não crêem que Cristo realiza o milagre de estar presente no Santíssimo Sacramento do altar cada vez e em cada lugar onde se celebra uma missa, e ainda assim insistem que crêem em tudo o que está na Bíblia e somente no que nela consta. "Como é possível acreditar na Bíblia mas não crer na Eucaristia" é o título deste texto, mas não sou eu quem vai responder!

4 comentários:

Ensino,religião e política. criticas. disse...

Livros Sagrados.
Quanto mais vivo neste planeta, mais bobagens ouço falar. Os partidários da Bíblia Sagrada, falam com uma convicção tão entusiasmada sobre a veracidade do seu livro, como se eles estivessem participado efetivamente da elaboração do mesmo. Ora este livro foi escrito a tanto tempo, nem se sabe verdadeiramente se foi escrito por profetas ou por pessoas comuns. Outra coisa muito importante, todo estes anos A Bíblia teve varias traduções, em todas Houve varias modificações, às vezes por dificuldades de interpretar certas palavras, e na maioria das vezes por interesse de quem a esta traduzindo. A Bíblia Sagrada, não é a única, existem muitos outros livro sagrados. Temos o alcorão, livro islâmico, temos os Vedas livro da religião da Índia, e muitos outros livros sagrados espalhados pelo nosso planeta. Para mim, ignorar os livros sagrados das outras religiões, e dar crédito somente a nossa Bíblia não passa de interesses particulares e mesquinhos. Deus, não é monopólio somente de quem acredita na bíblia Sagrada, Deus se existir realmente, ele está á disposição de todos os religiosos da terra e não apenas de um ou de outro grupo. O criador não vê seus filhos pela religião que professa, ele os vê pela pureza de coração, pela humildade e pelo seu amor ao próximo. Temos que dar um basta neste jogo de interesses que há no comportamento humano. Temos que praticar mais o amor ao próximo, eliminar de nós o egoísmo, a maledicência, o orgulho, a hipocrisia, o individualismo e muitos outros defeitos que são heranças malditas de todos nós seres humanos. Temos que ter bom senso, refletir com seriedade, todos nós estamos no mesmo barco da incerteza, por isso temos que ser coerentes e remar todos na mesma direção, assim chegaremos mais rápido ao destino desejado, se continuarmos sendo individualistas querendo levar vantagens em tudo não chegaremos a lugar nenhum. Se somos filhos de um mesmo Deus, para que a discórdia, afinal somos todos irmãos, por isso temos que nos irmanarmos para um só propósito, buscar e encontrar a paz e a felicidade tão almejada por todos.. Paulo Luiz Mendonça.

Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro, Crônica, Indagações e Teorias. Editora Scortecci.

Ensino,religião e política. criticas. disse...

Manifestação religiosa.

A manifestação religiosa, ou seja, a busca de um Deus exercida pelos seres humanos, dizem os entendidos que esta manifestação se dá porque existe dentro de nós uma chama flamejante e divina a qual nos impulsiona a crer em um ser superior e criador do universo como um todo.
Eu particularmente não acredito em nenhuma chama flamejante interna nos levando para esta manifestação.
Em primeiro lugar se o ser humano fosse eterno não houvesse a morte, ou seja, o fim da vida, esta manifestação, esta chama flamejante nem faria parte do nosso vocabulário, também não faria parte do nosso intimo. O que acontece na verdade é que o ser humano morre de medo só de pensar na morte, e como será alem dela. Todos nós sabemos que ela é impossível de ser evitada. Diante desta preocupação com o alem túmulo e que leva os seres humanos a buscarem alguma coisa na sua imaginação, ou ainda nos ensinamentos vindo de pessoas que professam religiões, mesmo que estes ensinamentos não sejam verdadeiramente provados, eles acreditam para aliviar um pouco as suas preocupações com o futuro incerto. Sendo assim eles se contentam com uma fantasia qualquer para aliviar suas duvidas e amenizar o medo mórbido da morte.
A maioria das pessoas irão se arrepiar com esta crônica, irão dizer que é uma escabrosa heresia, mas estou tranqüilo porque, ela está baseada em raciocínio lógico e coerente, é só analisá-lo friamente sem a interferência de dogmas religiosos.
O que leva a maioria dos seres humanos a buscarem as religiões não é nada mais do que buscar ajuda para problemas de saúde, de dificuldades financeiras, ou por problemas de foro intimo. Observem buscar ajuda: Ninguém se preocupa em levar ajuda para ninguém, pensam somente em angariar vantagens, isso é próprio do nosso egoísmo
Pessoas, sem os problemas relacionados acima, dificilmente são freqüentadoras assíduas de templos religiosos. Elas freqüentam bem moderadamente sem muito fanatismo, muitas vezes, somente para fazerem se passar por pessoas cheias de moral, para mostrarem que são tementes a Deus, mas o egoísmo, maledicência, orgulho, arrogância e o individualismo continuam intactos na consciência sem nenhum progresso.
O progresso tecnológico executada pela mente humana caminha rapidamente para um futuro promissor, continua avançando a passos largos, mas infelizmente a moral humana continua caminhando para traz, sempre retrocedendo. Continuando assim a moral humana que dizem ser a essência de Deus estará voltando lá para a idade da pedra.
Paulo Luiz Mendonça, autor do livro Crônicas Indagações e Teorias. Editora Scortecci.

Ensino,religião e política. criticas. disse...

Minhas dúvidas.

Há um Fato nebuloso para mim, nas explicações, dada pelas religiões que se dizem cristã. Por mais que eu procure, por mais que eu pesquise não consigo encontrar o motivo desta afirmação. Dizem os teólogos que Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar, eu pergunto salvar do que, de quem. Qual o perigo que nos ameaça. Eu não vejo nada que está nos pondo em perigo eminente. Este salvamento seria de ordem física ou espiritual. Se for de ordem física o perigo continua, nós estamos correndo risco de morrer durante toda nossa vida, isso fás parte do jogo da humanidade. Se for de ordem espiritual, não cabe a Jesus nem a qualquer tipo de santo ou qualquer tipo de religião que poderá nos salvar. Este trabalho de salvamento espiritual se realmente for necessário, o encarregado de nos salvar somos nós mesmos, nós temos o livre arbítrio, temos a consciência, temos a inteligência e temos também o nosso raciocínio o qual nos da condição de saber o que e o bom procedimento ou o que é mau procedimento. Portanto nós somos uma célula pensante da humanidade como um todo. Se cada um de nós agir de uma maneira correta, justa sem individualismo, sem hipocrisia, sem maledicência, sem egoísmo e amarmos nossos semelhantes como a nós mesmos não precisamos pensar em salvação pois já estaremos salvos pela nossa conduta irreprochável do bem viver. Religião é para os que não sabem se conduzir por si próprio é para os que não usam seu raciocínio de maneira lógica e coerente, os que usam lógica e coerência durante toda sua vida não precisa de nenhuma religião para os salvar. Esta historia de nos salvar foi criado pelas religiões, isso nos induz a procurar uma delas para nos conduzir pela vida. Quem precisar, se sentir fragilizado que procure uma, mas muito cuidado com a escolha.
Paulo Luiz Mendonça autor do livro Crônicas, indagações e teorias. Editora Scortecci

Anônimo disse...

A verdade.
A fé sem o dízimo não tem nenhum valor. Mas o dizimo sem a fé ajuda muito e é sempre bem vindo.
Acreditar em Deus ou não acreditar tem o mesmo valor, desde que você tenha convicção estabelecida pela sua própria consciência, não pela influência de terceiros.
Se tiveres dúvidas sobre sua existência pesquise, se tiveres medo se esconda atrás de sua fé e mais cômodo e menos cansativo.
A inteligência é a principal ferramenta que recebeste ao nascer, use-a o mais que puder, não tenha dó de submetê-la ao desgaste.
Os acomodados esperam ajuda das entidades divinas, os empreendedores a buscam no seu próprio trabalho e dignidade.
Se teu irmão não professa a tua fé, isso não impede que ele continue a ser seu irmão, nada no mundo pode mudar isso.
Tanto o ateu quanto o religioso, não sabem o caminho correto, se alguém tem um mapa é falso, pois mapa do tesouro escondido e ficção.
Consigo ver apenas um pequeno pedaço do universo, e um pequeno pedaço da terra, mas consigo ver com toda clareza a ignorância que assola a humanidade.
Se os seres humanos tivessem apenas instintos e não inteligência a terra seria um paraíso bem equilibrado.
Tudo está no saber pensar, saber refletir e saber executar, quem não tem este dom, deixa-se levar pela correnteza dos insensatos.
Os seres humanos são tão perigosos, que até os próprios humanos os temem, pois eles são sem sombra de dúvida, os mais perigosos dos inimigos.
Se os seres humanos pudessem ler o pensamento do seu semelhante, seria uma verdadeira catástrofe, pois isso mostraria o nosso lado sombrio e podre.
Não me preocupo com a morte, o que sempre me preocupou foi ver as religiões amedrontando as pessoas para poder dominá-las.
O temor do fogo do inferno, imposto a nós quando crianças é que levam a maioria das pessoas a buscarem alguma religião.
O medo mórbido do alem túmulo é o fator principal que fomenta a proliferação das religiões no nosso planeta.
Sobre crença e descrença em Deus, não se sabe quem está com a razão, pois até hoje ninguém voltou da morte para esclarecer nossas dúvidas.
Paulo Luiz Mendonça.
Email, pauloluiz41@hotmail.com