sábado, 8 de novembro de 2008

É para sempre... não tem mais volta!

ESCATOLOGIA - O ESTUDO DO "FIM DOS TEMPOS" - Parte 3

Fecharam nossos olhos. Nos vemos diante da imagem que Deus tem de nós. E não a questionamos, porque sabemos que ela é infalivelmente justa. Nisso consiste o Juízo Pessoal.

Se por um lado consideramos as leis da física como inerentes à nossa condição humana, da mesma forma precisamos considerar que a vida após a morte também tem suas leis. A seguir, apresentamos algumas delas, baseadas na mais pura teologia cristã.

Céu ou Inferno. Seja qual for a condição da nossa alma, uma vez experimentada não há mais nada que se possa fazer a respeito. A condição é permanente. E é pra sempre. E nossa influência sob o mundo dos vivos também é mínima, pra não dizer nula (as exceções são tratadas pelo Todo-Poderoso, que pode permitir ou não conforme sua Providência Divina).

As Sagradas Escrituras reportam, através de uma parábola narrada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que um rico morreu e, em meio a tormentos e em chamas, pediu que seus cinco irmãos pudessem ser alertados para que não tivessem o mesmo destino (Lc 16,19-31). Não lhe foi permitido. O argumento que lhe foi dado: "Eles têm a Lei e os Profetas; ouçam-nos. Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão". Portanto, podemos considerar as revelações particulares como excessões, mas nunca como regra ou trivial. Os vivos, peregrinos neste mundo, devem aceitar os sinais que estão ao nosso alcance - sobretudo através da Igreja e das Escrituras - para traçar seus plano de vida rumo aos Céus.
Em matéria de escatologia, é preciso ter cuidado em disseminar as fontes. A Revelação de Deus aos homens foi concluída em Cristo. A Bíblia terminou de ser escrita antes da morte da última testemunha dos atos de Cristo, e seus ensinamentos seguem ensinados ao longo dos séculos por seus sucessores. Mas esta é a revelação final, que nos dá toda a garantia de que precisamos. Há revelações particulares, mas estas devem sempre exortar-nos a viver segundo a Revelação de Cristo, nunca subtrair os primeiros ensinamentos. Pois não são maiores do que elas. Portanto, não é lícito ao Cristão crer mais numa revelação particular do que nas Escrituras e no Magistério da Igreja.
Por outro lado, não há quem espere que, após esta vida, tenha novas oportunidade para se corrigir. A doutrina da reencarnação não faz parte do cristianismo mas, infelizmente, está bastante disseminada e não é difícil achar batizados que creiam nela. Entretanto, esta crença contradiz seriamente o cristianismo e, portanto, é uma ameaça crítica à nossa Salvação. O autor da Carta aos Hebreus, no Novo Testamento, deixa claro que "o destino dos homens é morrer uma só vez — após o que vem o julgamento" (Hb 9,27).

A doutrina da reencarnação defende que o homem tem várias passagens por este mundo até se purificar e se redimir. Portanto, segundo esta doutrina, o homem não precisa de um redentor. Então, a partir daí, já reduz Nosso Senhor Jesus Cristo a um ser iluminado, negando não só a condição divina de Jesus (como a seguda pessoa da Santíssima Trindade) como tambem sua missão redentora. Se ele não veio para nos salvar, para nos redimir, então vã é a sua ressurreição. Ele não precisava ressuscitar, bastava deixar os ensinamentos de amor e pronto.

O chamado "bom ladrão" se arrependeu há poucos instantes da sua morte. Jesus não disse a ele que ele estava no caminho certo, e que teria que purgar todos os males daquela vida numa seguinte para reencontrá-lo mais adiante. Não. O que Jesus disse naquele momento de verdadeiro ato de arrependimento e contrição do outrora ladrão foi: "Em verdade eu te digo, hoje, estarás comigo no paraíso" (Lc 23,33-44).

Portanto, crer ou não crer na reencarnação é um ponto nevrálgico para os cristãos. Esta diretriz nos permitirá viver ou não viver esta vida como única oportunidade para "merecer" o Céu. Não há chance para treinamentos, cada instante é pra valer.

A vida aqui é apenas uma passagem. Não é ainda o Céu, mas também não é o Inferno. As sementes que deixamos aqui produzirão em nós a eternidade. Desde o primeiro instante depois do primeiro pecado, esta vida passou a exigir trabalho e esforço para resgatar a condição de imagem e semelhança com Deus. Mas, ao mesmo tempo, não deixou de contar com sua ajuda para conseguir o impossível.

Apesar de todos os esforços, os santos garantem: "Que proveito terá o homem em ganhar o mundo inteiro, se o paga com a própria vida? Ou então, que dará o homem, que tenha o valor de sua vida?" (Mt 16,26). A pergunta retórica feita por Jesus ecoa ao longo dos séculos para nos convencer de que a verdadeira riqueza é aquela que cultivamos por toda a nossa vida e que podemos levá-la na alma - mesmo quando esta deixar o corpo.

Assim como demonstra a vida dos santos e a própria vida de Jesus, é preciso saber perder para ganhar. Porque o infinito é invisível ao olhos.

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